AINDA NÃO HOUVE ABRIL… PARA OS ESPÍRITAS!

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Foto Alfredo Cunha, 25 de Abril, Cais das Colunas, Lisboa.

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Com a devida vénia para o seu autor, JOSÉ LUCAS, segue um protesto com o qual “espiritismo cultura” se identifica perfeitamente, acrescentando uma pergunta que não é indiscreta:

Ao que é sabido a FEDERAÇÃO ESPÍRITA PORTUGUESA já moveu um processo ao Estado, para tentar que justiça seja feita, não tendo sido dado provimento pelo poder judicial.

PARA QUANDO INICIATIVAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS DO ESTADO PARA FAZEREM JUSTIÇA  AOS  ESPÍRITAS PORTUGUESES?!…

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25 de Abril de 2017,

comemoram-se 43 anos do fim da ditadura iniciada por Salazar e que terminou com a intervenção dos militares portugueses, que nos devolveram a liberdade. Os injustiçados foram ressarcidos pelo Estado, com excepção dos… espíritas! Falta cumprir o ideal de Abril para o Espiritismo.
A Doutrina Espírita, doutrina filosófica de consequência morais (in “O que é o Espiritismo”, Allan Kardec), não é mais uma seita ou religião, mas uma filosofia espiritualista.
Sendo de tríplice aspecto (ciência, filosofia e moral), a Doutrina dos Espíritos (ou Espiritismo ou Doutrina Espírita) sempre pugnou, desde o seu aparecimento em 1857, pela defesa dos direitos humanos, pela igualdade de todo o ser humano na sua filiação divina, pelos direitos das mulheres (a 1ª mulher médica em Portugal, Drª Amélia Cardia, era espírita), pela liberdade de expressão.

Obviamente, a filosofia espírita era incómoda para o antigo regime, ditatorial, acoplado ao Cardeal Cerejeira, chefe da Igreja Católica portuguesa, que fazia parceria com Salazar.
Depois de várias tentativas ao longo dos anos para ilegalizar o Espiritismo, a 27 de Junho de 1962, por despacho do Ministro do Interior, todo o património da Federação Espírita Portuguesa (FEP) revertia para o Estado (Edifício da Rua da Palma, 251, Lisboa; edifício da Rua Álvares Cabral, 22 a 26, no Porto onde estava a Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas; a sede da FEP na Rua de S. Bento, 640, Lisboa, recheio, bibliotecas, dinheiro, depósitos na CGD e muitos outros bens), conforme se pode ler em “Movimento Espírita Português & Alguns Vultos”, de Manuela Vasconcelos, editora Federação Espírita Portuguesa.

Com o advento da liberdade, as pessoas e entidades que foram espoliadas pelo Estado Novo foram ressarcidas pelo Estado pós-liberdade… menos a Federação Espírita Portuguesa.
Renascida das cinzas, a FEP e os espíritas portugueses reorganizaram-se, não num sentido proselitista mas num sentido de vida: viver servindo o próximo, dentro da moral que o Espiritismo encerra e que se baseia na mensagem de Jesus de Nazaré.
Os espíritas portugueses espoliados pelo Estado Novo,
ainda não foram ressarcidos, 43 anos depois do 25 de Abril
O Estado livre não reconhece a actual FEP como sendo a sequência da anterior e, no meio de vírgulas, interpretações jurídicas e quejandos, ainda hoje, 25 de Abril de 2017 (43 anos depois), os livros continuam retidos na Biblioteca Nacional, os arquivos na Torre do Tombo e os bens confiscados e entregues à Casa Pia, ainda não foram devolvidos.
Se vivêssemos num país civilizado da União Europeia, decerto estas injustiças já teriam sido ressarcidas.
Se após o golpe militar que em 25 de Abril de 1974 restituiu a liberdade aos portugueses, tivessem aparecido partidos políticos que servissem os interesses do povo, certamente este caso faria parte do rol do esquecimento histórico.
Mas não, qual país do 3ª mundo, onde a justiça é feita à medida dos conhecidos e endinheirados, em Portugal os Espíritas foram e são esquecidos, mantendo-se a injustiça do Estado.
Quem sabe, quando um dia formos um país europeu, a própria comunicação social que tem o dever moral de divulgar casos de injustiça, informar, esclarecer, se interesse por este assunto, tantas vezes comunicado aos “media” e sempre esquecido.
Isto não é notícia.
Notícias são os crimes, os escândalos sociais, o diz-que-disse do futebol, a violência, a degradação moral que diariamente encharcam as páginas dos jornais.

O Espiritismo é importante contributo para a pacificação do ser humano e da sociedade.
O Espiritismo é o maior preservativo contra o suicídio.
O Espiritismo sempre esteve na vanguarda contra a diferença de género, contra as desigualdades sociais, contra a poluição da Natureza, contra a xenofobia, contra o racismo.
O Espiritismo defende que “Fora da caridade não há salvação”, isto é, que somente mudando o nosso sentimento, o nosso pensamento e o nosso agir em consonância com os ensinamentos ético-morais de Jesus de Nazaré, o Homem se espiritualiza e se aproxima de Deus.
Por isso o Espiritismo continua a ser o grande desconhecido e o grande espoliado pelo Estado Português, 43 anos depois da liberdade…
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José Lucas*

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*Tenente-Coronel, membro do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha
e da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP)

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João Abel Manta, desenho e gouache sem assinatura 1976/77, 285x360mm; da série “Salazar”

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Sobre espiritismo cultura

A Realidade desta e de outras vidas
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