A mediunidade do piano, fala Frederic Chopin

Frederic Chopin (1810-1849)

Frederic Chopin (1810-1849)

Trago aqui hoje a tradução de uma comunicação mediúnica feita pelo médium inglês LESLIE FLINT, no dia 19 de Dezembro de 1959.

Necessário será dizer-se – para que não haja equívocos – que não se trata de um médium espírita e sim de uma pessoa que se movimentou na área espiritualista inglesa.
A comunicação, que não me parece fantasista nem discordante da  cultura espírita, inclui até uma clara referência à reencarnação, facto que contrasta com o posicionamento das religião espiritualista inglesa.

O espírito comunicante foi o de FRÉDÉRIC CHOPIN, músico conhecidíssimo de enorme talento, nascido em 1 de março de 1810 e falecido em 17 de outubro de 1849. Em termos resumidíssimos dir-se-á que foi um compositor polaco do período romântico, amplamente considerado um dos maiores compositores para piano de todos os tempos.

No fim da sua comunicação o espírito de Frederic Chopin, e porque era Dezembro, regista os seus votos de Feliz Natal. Despretenciosamente mas com muita alegria, espiritismo cultura irmana-se com esta atitude e deseja a todos os visitantes, nesta quadra e no próximo ano, muitas felicidades, plena alegria e o mais bem sucedido progresso espiritual.

Leslie Flint (1911-1994), médium inglês de voz directa

Leslie Flint (1911-1994), médium inglês de voz directa

Tradução feita a partir do site The Leslie Flint Educational Trust que é dedicado a perpetuar a personalidade e acção de Leslie Flint, considerado – no meio espiritualista em que viveu inserido – um dos mais extraordinários médiuns de sempre.

Betty Greene e George Woods, colaboradores de Leslie Flint

Betty Greene e George Woods, colaboradores de Leslie Flint

 A coleção de gravações de vozes paranormais de George Woods e Betty Greene, auxiliares do médium, é considerada a prova mais convincente e aceitável que foi oferecida ao mundo sobre a existência depois da morte.

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Notas e objectivos desta tradução:

A explicitação das ideias transmitidas pelo espírito de Frederic Chopin, revelação das suas percepções do mundo espiritual, da sua vivência da música e da creatividade artística nesse plano.

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Greene:  Boa tarde.
Woods:  Oh, boa tarde.

Chopin: Não sei realmente se é de tarde ou de manhã. O tempo para nós, espíritos, é sempre uma noção muito incerta. Quando regressamos de visita às vossas condições terrenas vemo-nos sempre numa situação confusa acerca de várias coisas. O tempo é sempre problemático. É muito  difícil saber qual é o dia da semana. É coisa que só cabe na vossa mente, o vosso calendário confunde-nos. Mas não tem importância. De qualquer forma, desejo-vos Bom Dia!

Woods: Bom Dia.

Chopin: Sabem, estou muitíssimo interessado em tudo aquilo que estão a tentar fazer. Sois muitíssimo ambiciosos (como vós dizeis) em propagar de facto esta verdade. Produzistes estes aparelhos de gravação, gravadores como lhes chamais. É muito interessante. É magnífico, penso eu. Só desejava que isso pudesse ter sido possível no meu tempo, dispor de tais aparelhos. Mas as coisas então eram diferentes. Não tínhamos nada disso. Foi há muito tempo.

Greene:  Posso saber qual o seu nome, por favor?
Chopin:  O meu nome é Chopin.
Greene: Oh, Chopin!
Woods:  Chopin, oh!
Chopin:  Frédéric Chopin.
Greene: Que maravilha!

Chopin: Que coisa formidável seria ter tido este género de aparelhos para fazer gravações de música. Teria sido um recurso formidável, imagine-se! Vós agora tendes tudo. A ciência tem feito maravilhosas descobertas. O vosso mundo está diferente de tudo o que era possível imaginar. As pessoas têm tantas possibilidades. É muito frequente ouvir as pessoas no vosso mundo queixarem-se acerca da idade moderna, mas são muitos os seus privilégios. Tantos! É certo que em relação a vários assuntos dispõem de coisas que podem causar alarme e preocupação e podem, sim, causar grande infelicidade, mas as compensações são muitas.

Greene:  Poderia fazer o favor de falar-nos de si? A pergunta habitual que fazemos é a respeito da passagem para o mundo espiritual, como se sentiu e como se encontra agora?

Chopin: Querem saber a respeito da minha morte, é isso?

Greene:  Sim.

Chopin: Fiquei muito surpreendido. Provavelmente tinha muito poucos conhecimentos (como vós dizeis). De facto não tinha nenhuns. Não tinha qualquer religião. Suponho que seria católico mas muito fraco. Era um católico muito mau. Não tinha ideias definidas a respeito das coisas. Quando lá cheguei foi uma surpresa. Encontrei imensos amigos, pessoas que conhecera há muitos anos; amigos que tinha conhecido quando era mesmo um menino, todos lá.

Apenas me recordo de estar muito doente, deitado na cama. Os meus amigos – alguns deles – estavam comigo, e gradualmente tudo pareceu afastar-se para cada vez mais longe de mim, até que tudo ficou quieto.

Deixei de ouvir vozes. Deixei de me aperceber ou de tomar conhecimento de nada. Era como se estivesse a deslizar para longe, para cada vez mais longe de tudo. Já nada parecia real. O que fora deixara de o ser. Comecei então a ver uma luz enorme. De início apenas uma pequena claridade que se tornou cada vez mais intensa… acompanhada de sons. Música que se expandia e se tornou cada vez mais e mais forte. E comecei a ouvir sons, que eram música. Começou a aumentar e tornou-se sonora, como se tratasse de uma grande, grande orquestra, magnífica! Tentei ouvir, como vós dizeis, que melodia era. Parecia um tema fascinante. Não o reconheci, não era música com que estivesse minimamente familiarizado. Era diferente, muito mais magnífica que tudo o que ouvira antes…

Depois apercebi-me subitamente de que me encontrava num edifício magnífico. Era um lugar formidável com um auditório completo, tudo repleto de gente. As cores magníficas. Tudo mergulhado em cores e, não obstante, translúcido. Podia ver-se através das cores e, contudo, parecia que estava respirando por dentro das coisas, como se todas me envolvessem, como se estivessem a tornar coisas vivas. Não sei como explicar, era tudo formidável. Era… (pausa) … como se fosse matéria viva, tudo ali… em harmonia. Difícil, impossível de descrever.

Vi o magnífico edifício vivo de cor e vibração e música. A pouco e pouco alguns indivíduos destacaram-se da massa dos presentes. Alguns tinha eu conhecido. Era gente muito chegada, da minha juventude, gente minha. Era formidável! A música deteve-se e a cor começou a tornar-se mais (como dizeis) definida, porque de início fora muito suave e… admirável.

Entretanto as corres começaram a fundir-se e a tornar-se uma linda cor, não sei como diga – da família do azul, um azul diferente de tudo aquilo que tivera visto antes. Em vez da policromia, tudo se transformou e adquiriu a tom daquele perfeito azul, e tudo parecia reflectido na luz. As pessoas começaram a aproximar-se de mim e senti-me cercado de amor, calor e harmonia.

Muitas pessoas que tinha conhecido cumprimentaram-me e deram-me as boas vindas. E mostraram-me a pouco e pouco, não sei como o fizeram, revelando as coisas à minha mente, suponho, de forma que pudesse ver para lá das paredes daquele edifício. Parecia que nos tínhamos deslocado em grupo para fora dele. As paredes pareciam ter desaparecido e todos estávamos nos terrenos adjacentes a uma casa magnífica. Porque podia vê-la à distância, com torreões e belas cores e um lindo lago à frente da casa. Fazia pensar um pouco em Versalhes com as fontes os pássaros e os animais.

Vi alguns veados. A longo de uma grande avenida arborizada pareceu-me seguir, com todas aquelas pessoas, como se… Ao longo dessa caminhada tive a sensação de me dirigir algures, como se fosse ser recebido. Não sei mas era essa a sensação – a estar a ser levado para o edifício. Lembro-me de que quando lá cheguei havia uma longa escadaria. Pensei comigo mesmo “Que estranho, tantos degraus para subir!”… Mas nada me lembro quanto a passos nem degraus. Os pés nem tocavam os degraus. Era como se fosse transportado por sobre cada um deles sem necessidade de fazer esforço. Foi uma das coisas que mais me impressionou: senti que o esforço deixara de existir, enquanto que previamente na terra, tudo o que fizesse era feito com tal esforço!… Terrível. Não pude fazer grande coisa durante muito tempo. Tinha que descansar.

Aqui senti-me tão leve, tão diferente, tão cheio de vitalidade, nada exigia esforço. Na minha mente, contudo, ao ver os enormes degraus, pensei: “Que grande quantidade de degraus para subir”. Eram restos das minhas preocupações terrenas. Comecei então a convencer-me de que estava liberto pela enfermidade e pelos problemas do corpo. Tinha um corpo diferente, que não tinha visto, mas sentia que era diferente. Estava inquieto para ver como era. Estranho que tenha que se pensar nestas coisas: “Oh, sinto-me diferente, já não tenho que me esforçar, imagino o diferente que estou”.

Tudo conduziu para que concluísse nessa altura que passara por uma enorme mudança.

Quando cheguei à escadaria comecei a subi-la (como vós dizeis…) e entrei na tal casa que vira à distância. Na frente estava um pátio espaçoso com um arco enorme (como lhe chamais…) e passei por ele. Avancei para dentro do edifício para uma sala com teto alto, abobadado. O piso empedrado finamente polido muito belo. Nas paredes belas imagens de pessoas por todo o lado. Passeei olhando tudo com a sensação que estava a ser levado, sem que ninguém me mostrasse o caminho que eu parecia já conhecer. Ao atravessar a galeria dos retratos pensei: “Julgo que reconheço aqui algumas pessoas, mas de há muito tempo, é estranho”. Ainda hoje não tenho uma ideia clara de tudo o que se passou ali comigo.

Lá continuei e por fim cheguei a uma sala espaçosa onde estava muita gente, com um estrado elevado ao fundo, ou plataforma com degraus e nele um homem de belíssima figura, elegantemente vestido com um longo casaco doirado e púrpura, longos cabelos negros e ondulados até aos ombros, belos olhos castanhos, brilhantes. A sensação que tive era de que devia ser uma alta individualidade da maior importância.

Aproximei-me dele e tive o sentimento de estar a ser recebido, como pode ser-se recebido por um papa ou outra figura assim. Dirigiu-se a mim, saudando-me e apresentando-me as boas vindas, anunciando-me que tinha sido trazido para a esfera da música, e que ficaria ali como seu hóspede (como dizeis). As suas boas vindas eram-me entregues em nome de todos e faria uma visita acompanhado para ser apresentado, visitando a residência que me estava reservada nas imediações da grande casa, onde continuaria a fazer música e a estudar. Era a sociedade de músicos e artistas. Ali encontrei altas individualidades, como Miguel Angelo. Tanta gente que fora grande, como Cellini.

Greene:  Continue, é extraordinariamente interessante.
Woods:  Sim, muito interessante.

Chopin: Sabem, é extraordinário: nada sabemos a respeito de nós mesmos enquanto vivemos na Terra. Somos muito obtusos (como dizeis)… Talvez em certa medida seja importante que não nos seja permitido saber muito. Talvez seja melhor.

Encontrei pessoas deste lado com quem convivera na minha encarnação anterior na Terra. Lembro-me de há muito, na Terra, ter discutido a possibilidade da reencarnação. Não era teoria muito popular. Nada a que se desse importância, não era discutido pelas pessoas.

Os meus conhecidos, religiosos ou não, ou aceitavam o cristianismo completamente como haviam sido educados, ou pouca ou nenhuma religião seguiam, a menos que fossem muçulmanos, judeus ou coisa assim. Sabeis naturalmente que em Paris havia muita gente atenta a toda a espécie de “ismos”, coisas ocultas em que eu me interessara até certo ponto, mas que não tivera tempo para aprofundar. Não sei muito a respeito do assunto, mas era assunto discutido por amigos meus.

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Sei agora porém que nem todos somos almas novas. Apraz-nos pensar por vezes que somos almas jovens. Gostamos de pensar que nascemos, morremos depois e de novo viveremos numa esfera mais elevada na companhia de Deus. Teorias sempre muito simplificadas. Mas a vida é coisa mais difícil, em certo sentido mais complicada, o que faz dela algo de muito mais interessante.

Já estivemos na Terra muito mais vezes antes.

Descobri que vivera muitas vidas, de diferentes formas. Vejam a minha vida, como a da muita gente, tal como uma progressão, em largas fases sucessivas, alternando esferas sendo necessário regressar à Terra para adquirir novos conhecimentos ou cumprir certas tarefas, ou encontrar pessoas para ajudá-las na sua evolução.

Não temos a ideia a respeito de quanto aprendemos uns com os outros. É muito importante termos a noção de que não vivemos isolados.

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Vivemos lado a lado, uns para os outros e de nós mesmos como dos outros. Somos todos do mesmo espírito, embora em corpos diferentes, e todos contribuímos para os outros na medida do possível. Na minha vida, na minha última encarnação, contribui muito para a música mas, noutras vidas, contribuí de outras maneiras.

Não posso dizer-lhes tudo agora mas sei que quanto mais antiga é uma alma, mais progresso assimilou e é essencial que aprendamos pela prática e que o planeta Terra é como uma escola onde é essencial que aprendamos e ajudemos ouras pessoas a aprender. Por vezes somos enviados de regresso na qualidade de professores.

A minha tarefa no planeta terminou – no ponto de vista de ter habitado um corpo físico – mantendo entretanto as ligações em aberto dado que sinto que posso vir a ser útil. Ajudo também vários músicos no vosso mundo que se encontram a fazer esforços, a tentar energicamente progredir; gente com capacidade que julgo poder tornar-se valiosa no sentido em que podem engrandecer a vida e contribuir para a sua beleza. E além disso, claro, tentamos fazer passar por música certas ideias e sugestões que talvez não possam ser dadas por palavras!… Como sabem, a música às vezes consegue dizer mais às pessoas do que as palavras.

A religião é algo… qualquer coisa… muito dentro de cada um. Há muitas ideias que não podem traduzir-se por palavras, não podem ser descritas, nada se pode ler sobre elas, como não se sabe escrever a seu respeito. A verdadeira religião é algo que deriva da alma e do íntimo do homem, que não pode ser descrito ou analisado.

É como uma expressão pessoal, a parte divina, eterna, da pessoa, que não pode ser destruída, permanente através de toda a humanidade e de todos os tempos. Essa é a verdadeira religião, a verdadeira realização e desenvolvimento da alma e do entendimento dela. Não é qualquer coisa, como alguns julgam, que pode descrever-se num livro; o fim, o princípio, nada tendo existido antes ou depois. É a ignorância que faz as pessoas dizerem essas coisas.

A verdadeira religião e o seu entendimento, a realização da pessoa e da unidade com o Divino e os objetivos e o plano – todas essas coisas estão para além do espaço e do tempo, para além dos livros, para além do que o homem possa dizer por palavras. Coisas que em si, estão profundamente escondidas no íntimo, mas que podem ser reveladas com o tempo e a experiência. E nós não podemos fazer tudo numa só vida ou numa só era.

Greene:  A música dos nossos dias deve ter-lhe desagradado por vezes, não é assim?

Chopin:  Bem, de alguma não gosto e de outra não desgosto. Penso que por aqui e por ali surgem algumas propostas, reproduções de obras que podem ser um produto do seu tempo. Como sabem a música muda. Embora as notas sejam poucas, é admirável o que se pode fazer com elas. Podem reproduzir-se muitos sons e muitas experiências da alma interior, das condições da vida, da experiência e da época. Não aprecio muita da vossa música moderna, não obstante respeito aqueles que são sinceros e se esforçam por reproduzir algo sentido com intensidade e que para si representa os valores do seu tempo.

É evidente que a música real, a verdadeira e grandiosa música é algo que está para além do vosso mundo. Essa deriva do lado espiritual do homem e é a realização da grandeza e da unicidade com Deus.

A grande música é algo que realmente nasceu no espírito, e aparece reproduzido, talvez de modo muito deficiente, no vosso mundo. Os grandes génios da música, sejam de que época forem, reproduzem por meio de sons, como dizeis, certos aspectos do ser superior: a aspiração do homem.
O Senhor ia dizer algo?

Woods: Sim, ia; A vossa música é muito diferente da música feita na Terra? Muito mais avançada?

Chopin: Claro que é muito diferente. Temos muitos instrumentos que não existem na Terra. Nos níveis mais altos da evolução podemos criar música sem instrumentos, por acção exclusiva do pensamento – que no mundo espiritual é criativo. Um grande músico, por exemplo, pode compor e executar uma obra completa sem usar um só instrumento. Do mesmo modo que pode, por si mesmo, criar todos os sons.

Por consequência, os espíritos que estiverem em sintonia com os seus pensamentos ouvirão a reprodução daquilo que o compositor tenha criado.

Reparem que muito naturalmente vos habituastes a que tudo entre vós tenha a matéria como origem, dado que vivem num mundo material.

Têm que ter uma pá para cavar um buraco no chão e um violino para executar um concerto. E ambos os instrumentos têm que ser mecânicos. São objectos construídos e idealizados pelo homem para conseguir certas coisas, ou atingir certos objectivos. No mundo espiritual o pensamento é de tal forma preponderante e forte que, quando se sabe e se pode usá-lo, qualquer coisa de fundamental e poderoso, como o próprio som (por exemplo) pode ser conseguido sem o uso de objectos.

Os espíritos podem produzir o som por si mesmos, colocando em vibração a harmonia e a atmosfera (?…) Podem pois criar música sem dispor de instrumentos. Ao fim ao cabo, o pensamento antecede a fala, o pensamento aparece antes (em vez?…) da fala e do som. Aqui o nosso pensamento pode ser percebido por aqueles que se encontram em harmonia connosco, no mesmo sistema de vibração. Mesmo fechando os olhos é-vos possível ver figuras no escuro. A vossa imaginação faz isso.

O que é a imaginação? Ninguém respondeu ainda a esta pergunta. Muitas vezes, é a realidade. Aquilo que imaginais é, frequentes vezes, mais real do que as coisas apreendidas pela consciência.

O homem do mundo material, embora tenha avançado tremendamente em muitos domínios, é ainda muito ignorante em relação ao poder e à força que encerra o espírito. Foi-vos dito: “Batei e abrir-se-vos-á”. Mas poucos se dão ao trabalho de bater, ficando contentes com aquilo que lhes foi dado. Frequentes vezes aqueles que mais empenhados em ver e saber, são os mais ignorantes, porque não fazem a menor ideia do poder que está contido em si mesmos. Parecem satisfeitos com o que lhes foi ensinado, ou o que já sabem, não continuando na busca. Não “batem” à porta. Há na Terra muita gente sincera, bondosa, honesta e feliz. Mas muito infantil!…

Greene: Pode parecer-lhe uma pergunta muito tonta, mas qual é a sua impressão de um piano quando pela primeira tocou no mundo espiritual?

Chopin: a impressão que tive é de que estava em casa porque, sem piano, sentia-me perdido. Por isso me senti feliz quando pude fazê-lo.

Greene: Quais eram as diferenças? Foi diferente o que sentiu?

Chopin: Bem, não, senti exactamente o mesmo. Ao mesmo tempo porém parecia ter uma tonalidade mais rica, mais bela, e não tinha as mesmas limitações que na Terra. Mas devo observar que isto se passou apenas nos primeiros momentos de chegada aqui, para me dar felicidade, para me dar a ideia de que estava em casa. Gradualmente comecei a dar-me conta das possibilidades aqui disponíveis e comecei a tornar-me mais capaz de fazer coisas mais elevadas.

Bem vejam, nós limitamo-nos devido à falta de conhecimentos. À medida do avanço no saber, ficamos menos limitados e aquilo que nos esforçamos por fazer torna-se progressivamente mais realizável e mais insigne. E o formidável que é! Imaginais o maravilhoso que é um mundo sem limitações, para além daquelas que estabelecemos?
Nada é impossível, tudo o que é bom é possível e tornamo-nos cada vez mais capazes à medida do esforço que fazemos para isso.

O vosso mundo é limitado mas apenas porque o homem assim o fez. Na sua ignorância não vê, não concebe as capacidades e as possibilidades reais. Limita-se a pensar no que é material e nas respectivas acções consequentes. Mas não há limites para aquilo que o homem possa conseguir se buscar profunda e seguramente o que deriva do espírito. O poder do espírito vence tudo, como bem sabeis, mediante os milagres de Jesus e de outros espíritos superiores. O que aparece como limitações, não o são. Nada é impossível se o homem tiver fé; fé no Criador e fé no poder que ele nos dá.

Tenho grande alegria em vir até vós e poder falar connvosco.
Gostaria imenso de poder regressar de novo…

 Woods:  Posso fazer-lhe uma pergunta?
Chopin: Sim Senhor.
Woods:  Gosto muito de tocar piano mas nem sequer conheço as notas. Gosto de tirar melodias ao piano e coisas assim. Não toco senão quando estou só, porque se ririam de mim. Divirto-me fazendo a música que consegui criar por mim mesmo. Gosto de me sentar num jardim – sei que as pessoas iriam rir-se de mim se soubessem – escuto certos sons e imagino que os transformo em música, esquecendo o barulho circundante. Portanto, será música aquilo que faço?

Chopin: Indirectamente, é. Mas vejamos, como todas as coisas, realizar exige esforço, trabalho. No vosso mundo para se tocar piano é preciso ser treinado. É preciso saber o que é um piano e aquilo que se pode conseguir com ele e os dedos têm de ser acostumados à agilidade, etc. Para consigo mesmo, obviamente, existe o desejo inato de ser criativo e de tocar, e no mundo espiritual longe das limitações da carne, sem dúvida criará e fará música!…

Como está no seu mundo limitado, devido à falta de experiência e porque como criança não foi treinado, tudo são limitações. Apesar de tais limitações não é impossível para uma pessoa que nunca tocou piano, na condição de dispor dessa fé, poder controlar as limitações de tal forma que seja capaz de tocar piano como um mestre.

Veja que embora estes aspectos materiais sejam importantes, nem sempre são o inconveniente que as pessoas julgam. Nada é impossível e, se alguém tiver fé, pode ser que resulte. O senhor pode ser controlado de certa forma para tocar o piano, mas não seria coisa propriamente sua.

Woods:  Sim

Chopin: Quando estiver aqui, se tiver esse desejo e eu vejo que tem, tornar-se-á músico, muito mais, e será capaz de tocar.

Mas ainda terá que passar por várias fases. Não há um caminho certo e rápido (como dizeis…) para o sucesso. Tudo tem que ser feito gradualmente. Tudo tem que ser conquistado, sabem? Temos de sofrer para alcançar. Entretanto, tenho que ir-me, porque a energia enfraquece.

Foi uma alegria estar entre vós. Desejo-vos um feliz Natal. Até à vista, Deus vos abençoe Senhora e Senhor.

But it has been joy for me to come to you.  I wish you a happy Noël.  Au revoir. God bless you, Madame et Monsieur.

Woods, Greene:  Muito obrigado.

FIM DA GRAVAÇÃO

Nota:

A minha intenção em realçar a amarelo o momento da comunicação de Frederic Chopin em que fala da reencarnação e do regresso reiterado ao plano da vida material, baseia-se no facto de que, sendo Leslie Flint inglês, “médium psíquico” como se diz em Inglaterra, na área de influência espiritualista, adquire particular relevância este claríssimo posicionamento.

De facto, a religião espiritualista britânica, porque assim se assume organizadamente, não perfilha a tese reencarnacionista. A franqueza e a lealdade com que este momento da comunicação aparece transcrito na documentação publicada pelo The Leslie Flint Educational Trust, confere significado especial ao facto e dá nota de probidade das pessoas que fizeram o trabalho.

O realce que tive a iniciativa de fazer, para além de se basear no teor do que nos diz o espírito de Frederic Chopin é uma homenagem a essa atitude de autenticidade cultural e de honestidade intelectual.

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Sobre espiritismo cultura

A Realidade desta e de outras vidas
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