Balanço dos estudos Europeus sobre EQM-EMI de 2010

Capa da publicação citada

Os textos abaixo são a tradução de um artigo publicado pelo “Le Journal Spirite” nº 82 de Outº/Dezº de 2010, que é um órgão de informação cultural de elevado nível do Círculo Espírita Allan Kardec, da cidade francesa de Nancy. A sua publicação impõe-se, dado que fornece uma visão ampla e abrangente do fenómeno de que trata e tem a sua motivação num congresso internacional que teve lugar na cidade de Martigues, próximo de Marselha, onde se fizeram representar muitos dos mais altos expoentes mundiais na matéria. É um trabalho de ISABELLE CHEVALIER.

NOTA: As EQM – Experiências de Quase-Morte, NDE (Near Death Experiences) na sua designação em Inglês, são conhecidas em França como EMI – Expériences de Mort Imminente).

A partir de 1970 , Raymond Moody interessou-se pela existência das NDE-EMI), tendo começado a publicar o fruto das suas observações a partir de 1975. Tornou-se desse modo o impulsionador da investigação científica desse assunto, no que tem sido seguido desde então por outras figuras do domínio científico. Um artigo do nº 49 do periódico “Le Journal Spirite”, publicado pelo “Cercle Spirite Allan Kardec de Nancy” apresentou de forma pormenorizada os principais percursores destes estudos, Kenneth Ring, professor de psicologia da Universidade de Connecticut, Michael Sabom, cardiologista do Hospital Saint Joseph de Atlanta e Melvin Morse, pediatra do Children’s Hospital de Seattle. Entre 1975 e 1990 estes investigadores americanos foram de facto os pioneiros, seguidos logo – muito de perto – por investigadores europeus.Qual foi o avanço que se verificou na Europa nas investigações e na observação dos EMI? De que modo é que o estudo destas experiências representa um progresso no reconhecimento do espiritismo, como filosofia e ciência da alma? Viajemos então um pouco e conheçamos estes eminentes investigadores europeus que, até hoje, marginalizados pelos seus pares, tiveram o mérito de impulsionar a investigação sobre os múltiplos testemunhos das pessoas que viveram uma destas E.M.I.

As tentativas de explicação da corrente materialista da medicina

Várias foram as teorias explicativas propostas para as experiências de morte iminente. Alguns cientistas, como a psicóloga britânica Susan Blackmore, pensam que os E.M.I são provocados por modificações fisiológicas no cérebro, ligadas à morte de células devido à falta de oxigénio, que se designa como “anoxia cerebral”. Outras teorias falam das reacções psicológicas perante a iminência da morte. Segundo esta hipótese os E.M.I.’s seriam causados pelo medo à morte que precede a paragem cardíaca.

Igualmente, segundo investigações de 2002 de Olaf  Blanke do departamento de neurologia do Hospital Universitário de Genève e pelas que foram efectuadas pelo professor Heinz Wieser, neurologista daUniversidade de Zürich, na Suissa, as E.M.I.’s poderiam ser fruto de um estímulo eléctrico numa região específica do cérebro em doentes epilépticos. Os resultados obtidos dão testemunho de sensações de flutuação e da produção de imagens fantasmagóricas por parte dos enfermos, mas nenhuma das fases vividas tem as características dos fenómenos descritos por protagonistas de tais experiências. Até há pouco não eram conhecidos estudos científicos e exploratórios para procurar explicar as causas e o conteúdo de uma E.M.I. Frequentemente os estudos realizados eram retrospectivos e podiam ter passado já vários anos entre a ocorrência do facto e o seu estudo, o que dificultava uma avaliação correcta dos dados farmacológicos, médicos e psicológicos.

1970 – 2006: Os começos das investigações mundiais sobre as EMI

As investigações científicas sobre as EMI começaram no fim dos anos setenta, com a criação nos Estados Unidos da “Associação Internacional para os estudos de quase-morte” (IANDS – International Association for Near Death Studies) pelo professor Kenneth Ring em estreita colaboração com Raymond Moody.

“A Vida depois da Vida” a mais conhecida obra do Dr. Moody

A publicação do livro de Raymond Moody  “Vida depois da Vida”  e a apresentação dos primeiros trabalhos de Elisabeth Kübler-Ross estimularam igualmente o arranque dos primeiros estudos científicos sobre as EMI. De seguida, numerosos investigadores de renome, pertencentes a diversas áreas disciplinares (psiquiatria, psicologia, farmacologia, neurologia e neurofisiologia) estudaram este fenómeno e as suas implicações. A metodologia das investigações científicas sobre as EMI consiste em recolher testemunhos entre um determinado grupo de pessoas, por exemplo; todos os enfermos de um certo hospital e de acordo com um protocolo pré-estabelecido, tratando em seguida os referidos dados no plano qualitativo e estatístico. Hoje em dia já se conta com vários estudos desse tipo, o mais importante dos quais é o do cardiólogo holandês Pim van Lommel. O resultado das suas averiguações, feitas a partir do ano 2000 em dez hospitais holandeses e sobre um universo de mais de 340 pessoas que atingiram o estado de morte clínica, foi publicado em 2001 na “The Lancet”, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo. Na mesma altura, Sam Parnia, médico e investigador do Hospital Geral de Southampton (Grã-Bretanha) dirigiu o seu próprio estudo na sua unidade de cuidados intensivos. Antes disso, no fim dos anos 90, uma investigação dirigida por Kenneth Ring sobre as EMI sucedidas com pessoas cegas, entre as quais algumas de nascença, apresentou de maneira assombrosa o facto da “visão” integral dessas pessoas durante a sua respectiva experiência. Referimos igualmente, no domínio da neurociência, os trabalhos do Dr. Mario Beauregard, especialista em “neuro-teologia” – o estudo dos estados místicos profundos – da Universidade de Montreal e das investigações sobre desincorporação avançadas pela Drª Sylvie Déthiollaz, investigadora de biologia molecular na Suíça.

Martigues, 17 de Junho de 2006 – Ponto de situação das investigações Europeias

Aspecto de Martigues, a “Veneza Provençal”

Na data assinalada deu-se um acontecimento excepcional. Médicos e especialistas reuniram-se para redigir o balanço de trinta anos de investigação científica sobre as EMI, ante um público de 2.000 pessoas. Foi o começo de uma nova etapa da investigação e da compreensão das EMI. Dos escritórios da Agência noticiosa France Press foram recolhidos em todo o mundo por dezenas de meios de comunicação, de Israel a Singapura e de Sidney a Teerão. Quer dizer que este colóquio foi um facto revolucionário no seio da comunidade médica internacional. No mundo estão catalogados 17,5 milhões de protagonistas de tais experiências. De todas as idades, de todos os países, de todas as culturas, de todas as religiões, homens e mulheres. Estes milhões de pessoas deram testemunho da sua viagem às fronteiras da morte. Um acidente, uma paragem cardíaca ou a caída em estado de coma, veio transformar a sua vida.

Segundo os últimos estudos, entre 15 e 20% dos indivíduos que se encontraram na situação de passar muito perto da morte com riscos importantes de sobrevivência, passaram por uma Experiência de Morte Iminente (E.M.I.). Não se trata de uma experiência rara e é esse dado estatístico que faz com que numerosos cientistas estejam a considerar o assunto muito a sério.

Nos Países Baixos, a investigação que perturba

Até agora realizaram-se dois estudos prospectivos e científicos (1998 e 2001) levados a cabo por médicos, na Holanda e na Grã-Bretanha. Contudo, somente o estudo do holandês do Dr. Pim van Lommel, cardiologista, analisa em profundidade estatísticas dos factores susceptíveis de originar uma E.M.I. Este trabalho, como o do Dr. Sam Parnia na Grã-Bretanha torna a questionar os conceitos estabelecidos acerca da natureza da consciência originada no cérebro. Vejamos o que descobrimos ali. Em 1998, o professor Pim van Lommel e a sua equipa empreenderam um vasto estudo sobre 344 sobreviventes de paragens cardíacas para determinar a frequência, as causas e o conteúdo das E.M.I. Foi levado a cabo em dez hospitais holandeses, com a concordância de cada um dos pacientes e do conselho de ética. Realizou-se uma avaliação rigorosa dos dados médicos, farmacológicos, psicológicos e demográficos. Fizeram-se comparações com um grupo piloto que tinha sofrido paragem cardíaca sem ter passado por E.M.I. As entrevistas tiveram lugar alguns dias depois da reanimação, na medida em que o estado dos pacientes assim o permitia. Fez-se além disso um estudo longitudinal a dois e oito anos de intervalo, com duas novas séries de entrevistas para observar as modificações acontecidas na vida de cada um destes pacientes. Pim van Lommel explica:

“Uma E.M.I. é a recordação das impressões experimentadas durante um estado modificado da consciência. Inclui elementos específicos como a desincorporação, bem-estar, visão de um túnel, de uma luz, de parentes falecidos e uma revisão de sua própria vida. No nosso estudo, 62 pessoas, ou seja, 18% dos 344 pacientes reanimados, relataram ter vivido uma E.M.I. com os elementos clássicos antes descritos. Destes 62 pacientes 41, ou seja, 12% do grupo estudado tiveram experiências (E.M.I’s) bastante intensas. O estudo não revela nenhuma diferença entre os pacientes que tiveram E.M.I.’s e os outros. Nenhum factor particular como a duração da paragem cardíaca, o período de inconsciência ou a entubação do paciente durante as complexas reanimações ou o período de tempo até à paragem cardíaca, é determinante de uma E.M.I. Tampouco se registou correspondência com a absorção de medicamentos, drogas ou factores psicológicos como o medo da morte antes da paragem cardíaca. Não foi possível salientar nenhum critério demográfico como a educação, o sexo ou a religião do paciente”

Transformados para toda a vida

O estudo sustentado a dois e a oito anos permitiu  seguir durante um prazo maior todas as pessoas que tinham sobrevivido a uma paragem cardíaca, com ou sem E.M.I. Segundo tal estudo somente os pacientes que experimentaram uma E.M.I. apresentaram transformações duradouras na sua atitude perante a vida. Nestes pacientes Pim van Lommel observa especialmente o desaparecimento do medo da morte e uma maior intuição. Os resultados do estudo holandês mostram claramente que os factores médicos, psicológicos, fisiológicos ou farmacológicos propostos como teorias para explicar as E.M.I. não são susceptíveis de tê-las influenciado. O Dr. Van Lommel confirma nas conclusões do seu estudo: “Não pudemos encontrar um único factor médico susceptível de ter provocado as experiências de morte iminente durante a paragem cardíaca e a morte clínica dos pacientes”. É de notar que em 1980 o Dr. Bruce Greyson, professor de psiquiatria, tinha chegado à mesma conclusão no seu estudo norte-americano.

Em Inglaterra as mesmas conclusões

O Dr. Sam Parnia

O Dr. Sam Parnia, autor de um estudo no Reino Unido em 2001, chega às mesmas conclusões. Esclarece que as E.M.I. se produzem durante o período de inconsciência e que alguns pacientes parecem ter obtido durante as mesmas “informações inexplicáveis” sobre aquilo que os rodeava. Esse facto sugere que uma parte da consciência humana é capaz de separar-se do corpo e conseguir informações à distância. “Então, pergunta o Dr. Parnia, como é possível terem os protagonistas de E.M.I’s pensamento estruturado, raciocínio e colheita de memória, durante uma paragem cardíaca?” Na totalidade do seu estudo sobre as E.M.I’s, feito no seu serviço hospitalar e publicado na revista médica de reanimação, concluiu ser necessário prosseguir tais investigações a uma escala mais alargada.

Em França, a telepatia em evidência

O Dr. Jean-Jacques Charbonier

A publicação em 2005 do livro “Detrás da Luz” (Derrière la Lumière) testemunho de Jean-Jacques Charbonier, anestesista reanimador de Toulouse, revolucionou os modelos científicos através dos relatos auto-biográficos sobre o fenómeno da vida depois da vida. No exercício da sua actividade profissional as observações que foi fazendo levaram-no a afirmar a existência da telepatia, quer dizer, a transmissão de pensamento, entre o protagonista e os seus envolventes. As suas trocas de impressões com os comatosos foram tratadas numa obra: “As provas científicas da vida depois da vida” (Les preuves scientifiques de la vie après la vie). Afirma ali o fenómeno da “pré-cognição” (ou clarividência em termos espíritas) ou seja, que os protagonistas de experiências puderam adivinhar o que vai acontecer-lhes e podem perceber o pensamento daquele que irá reanimá-los. “Os protagonistas recordam-se do pensamento exacto com os termos exactos, como por exemplo: – Este doente está-se-me a escapar!” O Dr. J.J.Charbonier, ele próprio o reanimador em causa teve este pensamento sem ter chegado a pronunciá-lo de viva voz, durante o exercício da reanimação de um doente em estado crítico. Vai mais longe ao afirmar que a telepatia pode ocorrer no outro sentido, conforme descreveu no encontro de Martigues e está descrito no seu livro:

“…Tive uma conversa com a sobrevivente de um coma tóxico que tinha tomado fortes doses de calmantes para pôr termo aos seus dias. Algum tempo antes desta entrevista tinha-a livrado de uma asfixia, aspirando um espesso tampão de muco que obstruía a sonda que a entubava, enquanto os outros elementos da equipa que ali estava considerava inútil ou mesmo descabido esse procedimento.

– Felizmente o senhor estava ali para evitar que eu me afogasse, doutor.

– A enfermeira disse-lhe alguma coisa a respeito da sonda entupida? Perguntei intrigado.

– Não, ninguém me disse nada; mas recordo-me de tudo o que se passou.

– Como é que sabe o que se passou com a sonda entupida?

– Fui eu mesma que lhe pedi que a aspirasse. O senhor deve saber.

– Mas a senhora estava em estado de coma, impossibilitada de comunicar com ninguém..

– Talvez, mas – como lhe digo – via e ouvia tudo. Por isso pensei com toda a força: “é preciso aspirar-me doutor, é preciso aspirar-me, estou quase a sufocar-me! O senhor felizmente ouviu-me!…”

Convencido de que a vida não se detém devido à morte do corpo físico, este médico-reanimador  afirma a existência do duplo etérico, ou astral, segundo as filosofias, a saída do corpo, a telepatia, a clarividência, a existência do túnel, a luz, o encontro com os seres de luz, o regresso à carne  e a transformação de vida dos protagonistas depois da sua aventura. Estas experiências demonstram que as saídas do corpo ocorridas nas circunstâncias enumeradas não são alucinações, dado que os diferentes episódios de que eles mesmo se aperceberam durante as paragens cardíacas se produziram  na realidade concreta. J-J- Charbonier afirmou que se subsiste um estado de consciência, que se modifica apesar da paragem das funções cerebrais, então isso prova que a consciência não se encontra a nível do cérebro. Concluiu a sua conferência dizendo que então é possível uma forma de vida depois da vida, facto que constitui um enorme passo em frente em direcção à filosofia espírita.

IANDS França, uma associação activa

Extensão da IANDS dos Estados Unidos, criada em 1987 por iniciativa de Evelyne Sarah-Mercier, antropóloga, economista e presidente desta associação francesa, tem três objectivos: oferecer um serviço de assistência e aconselhamento às pessoas que tenham vivido um NDE-EMI; organizar a investigação sobre este fenómeno e difundir informação entre o público, os investigadores científicos e os profissionais que trabalham no campo da saúde. Todas estas disciplinas científicas estão representadas e o Dr. Jean-Pierre Jourdan apresentou em Martigues uma comunicação sobre os estudos e hipóteses consideradas acerca de outra dimensão para além daquela que conhecemos (três dimensões espaciais e uma temporal); e outra dimensão na qual se desenvolveria a experiência dos protagonistas considerados, que lhes permite ter percepções “sem olhos, sem ouvidos e sem cérebro”.

Extracto do discurso de J.P.Jourdan, médico, responsável pela investigação da sua área na IANDS/França: “Aquilo que nos levou a pensar que os nossos pacientes pareciam ter-se encontrado noutra dimensão foram as suas descrições a respeito da visão e da percepção de relevos. Por exemplo: via por todo o lado, com um ângulo de visão de 360 º, o meu campo visual era mais extenso do que o habitual, via através de todos os objectos, estava simultaneamente em todo o lado e em nenhum em particular , excepto quando me dirigia a um objectivo, o que acontecia com grande rapidez; as minhas deslocações estavam sujeitas à minha vontade com efeito instantâneo, etc.”

[…]

A impressão de estar em todo o lado simultaneamente deriva do facto de que se podem “ver” todas as partes ao mesmo tempo, contudo, ao mesmo tempo não se está em sítio algum, dado que não se está nesse determinado plano, mas sim fora dele. Está-se, pois, fora do universo de onde saiu o observador. Em espiritismo, a sensação da deslocação muito rápida ou a faculdade de se estar num determinado local simplesmente porque de desejou ir lá, são consequência da capacidade de pensar e da sua força de concentração, capacidade há muito tempo descoberta pela comunicação espírita através dos múltiplos testemunhos dos espíritos. De facto, o “além” não é um lugar geográfico. Não está em sítio nenhum e está em todo o lado; está numa dimensão que é a do espírito: espiritual e imaterial.

Quando a ciência se reúne com a filosofia…

Consciousness Beyond Life, de Pim van Lommel

Pim van Lommel abriu o colóquio de Martigues com o tema “Cérebro e consciência”. As questões que apresentou são predominantemente filosóficas, perante a evidência dos testemunhos dos protagonistas de E.M.I’s

Extratos: “…As EMI ocorrem com frequência crescente devido à melhoria das taxas de sobrevivência, devido às modernas técnicas de reanimação. Parecem ser fenómenos relativamente frequentes, ainda inexplicáveis para grande número de médicos. Em resultado disso esta observação da sobrevivência a uma situação médica crítica permanece amplamente ignorada. Será que a morte cerebral corresponde realmente “à morte” pura e simples, ou é apenas o início de um processo de morte que pode durar muitas horas ou dias? E o que é que chega à consciência durante esse período? Será que deveria considerar-se igualmente a possibilidade de que uma pessoa clinicamente morta durante uma paragem cardíaca possa permanecer consciente, e até a possibilidade de que possa subsistir uma consciência depois de essa pessoa estar morta, quando o seu corpo já arrefeceu? No meu modo de ver, a única viabilidade empírica possível para validar estas teorias é a investigação sobre as E.M.I’s. Acreditamos que a morte do nosso corpo é o fim da nossa identidade, o fim dos nossos pensamentos e das nossas recordações, que é o fim da nossa consciência. Será que devemos mudar de ideias a respeito da morte, não só a partir do que tem sido ensinado e escrito sobre a morte durante a história da humanidade, mas também a partir das recentes descobertas e do estudo científico das E.M.I’s.?

Afinal, o que é a morte? Durante a nossa vida, durante cada segundo, morrem 500.000 células. Por dia, cerca de 50 mil milhões de células são substituídas no nosso corpo, o que equivale a um “corpo novo” por ano! 90% das moléculas e átomos do nosso corpo terão sido substituídos. Ninguém se apercebeu entretanto dessa transformação constante. As células não são nada mais do que elementos constituintes do nosso corpo, como os tijolos de uma parede. Quem é, porém, o arquitecto? Quem é que dirige a construção da casa? Será uma pessoa o seu “corpo”, ou melhor será dizer que “tem” um corpo? É necessário dizer ao mundo da medicina que par a estas perguntas fundamentais, novas, o espiritismo tem respostas desde há 150 anos…”

 Questionar uma ideia fundamental

Van Lommel apresenta os numerosos testemunhos de E.M.I’s e circunstâncias respectivas, apoiando-se no estudo feito no seu país sob a sua orientação e conclui que a morte de uma pessoa, estabelecida a partir de um electroencefalograma  (EEG) plano já não é um critério infalível. Como é que se pode avaliar a consciência “fora do corpo” no momento em que o cérebro já não funciona, em estado de morte clínica com o electroencefalograma plano? Pergunta o Dr. Van Lommel. E responde: “De acordo com os estudos mencionados, sabemos agora que os pacientes em paragem cardíaca não só não mostravam actividade eléctrica a nível do córtex, como também não registavam actividade do tronco cerebral. Não obstante, os pacientes que experimentaram uma E.M.I. descrevem ter estado na posse de uma consciência nítida mediante a qual eram possíveis as funções intelectuais, as emoções, o sentido de si mesmos ou até recordações desde a infância. Como poderia dispor-se de uma consciência nítida, fora do corpo, no momento mesmo que o cérebro deixa de funcionar durante um período de morte clínica, com um EEG plano? Tal cérebro estaria na mesma situação que um computador desligado da corrente e destituído dos seus circuitos. Não poderia ter alucinações.”

O Dr. Pim van Lommel apoia a seguir a sua demonstração nos estudos realizados por ele próprio e pelos seus colegas sobre a teoria da sobrevivência da consciência durante a morte clínica do corpo físico. Conclui finalmente a sua conferência com esta esperança que levo ao vosso conhecimento, dado que tanto se acerca da tese espírita e do conceito de sobrevivência da alma.

Resumo:“A conclusão inevitável é a de que há continuidade da consciência pois esta pode ser provada independentemente da actividade cerebral. Tal poderia conduzir a mudanças profundas no paradigma da medicina ocidental e no conceito da morte, devido à conclusão quase inevitável de que no momento da morte física, a consciência continua a existir noutra dimensão, num mundo invisível e imaterial no qual está contido todo o passado, presente e futuro. A morte não é mais do que o fim do nosso aspecto físico”.

O “depois” de Martigues

O cartaz do acontecimento em Martigues

O colóquio de Martigues permitiu um encontro de qualidade entre o público e investigadores de todas as nacionalidades no campo das NDE/EMI. As intervenções mostraram que as E.M.I’s podiam ser consideradas na sua integridade sob um ponto de vista científico, de maneira aberta.

Deste modo, de 2008 a 2011, a Universidade de Southampton colocou em marcha um novo estudo em grande escala, com uma duração de três anos, realizado em 25 centros hospitalares britânicos, norte americanos e europeus e apoiados nos casos de 1.500 pacientes que escaparam à morte no momento de ataques cardíacos. Tais estudos (ver notícia publicada AQUI) são conduzidos pelos Drs. Sam Parnia e Peter Fenwick (neuropsiquiatra). Estamos impacientes por conhecer os resultados desta nova colaboração internacional pois, como espíritas, afirmamos que a sobrevivência da alma poderá em breve ser reconhecida e comprovada pela ciência. Deste modo, os espíritas do círculo Alan Kardec de Nancy poderão aproximar-se deste mundo da medicina e partilhar com ele a etapa suplementar do seu descobrimento: a possibilidade de comunicar com os mortos.

Sobre espiritismo cultura

A Realidade desta e de outras vidas
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