O Consolador prometido por Jesus – palestra José Passini

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Resumo comentado da palestra do Prof. José Passini

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Tema apresentado: “O Consolador prometido por Jesus”.

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Na “Semana Kardec” de 2009

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Organizada pela Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”

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NOTA:
este resumo comentado é da exclusiva responsabilidade do autor deste blogue e resulta das múltiplas audições da palestra em questão, que deverá ser apreciada pelos visitantes  para plena fruição do seu edificante e bem informado conteúdo. O ACESSO À PALESTRA EFECTUA-SE CLICANDO NA LIGAÇÃO QUE SE ENCONTRA AO FUNDO DESTE RESUMO, cuja leitura entretanto recomendo.
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A simpática e calorosa eloquência do palestrante conduz-nos por um longo percurso discursivo que esclarece a evolução humana a partir dos primeiros códigos de leis que surgiram na história, desde o conhecido código de Hamurábi surgido cerca de 1.700 anos antes de Cristo na Caldeia, e passando depois pelo aparecimento da lei Mosaica, patente na linguagem arcaica e fortemente simbólica dos cinco primeiros livros da Bíblia (ou Pentateuco).

O Código de Hamurabi (também escrito Hamurábi ou Hammurabi) é um dos mais antigos conjuntos de leis escritas já encontrados, e um dos exemplos mais bem preservados deste tipo de documento da antiga Mesopotâmia. Segundo os cálculos, estima-se que tenha sido elaborado pelo rei Hamurabi por volta de 1700 a.C. É um monolito negro que foi encontrado por uma expedição francesa em 1901 na região da antiga Mesopotâmia correspondente a cidade de Susa, actual Irão. Encontra-se exposto no Museu do Louvre

.Assim se nos depara, primeiro em Hamurábi, uma lei dura e intransigente, severa e punitiva e depois, em Moisés, o perfil de um Deus vagamente antropomórfico (pois que teria falado “cara a cara” com Moisés), tal soberano iracundo e vingativo que se agradava com sacrifícios e se exprimia pelo estabelecimento de regras drasticamente punidas.

Moisés, de Miguel Angelo (1515) San Pietro in Vincoli / Roma


Tais regras de respeito aos princípios estabelecidos poderiam justificar perfeitamente o apedrejamento até à morte de um homem, apenas por ter sido surpreendido a apanhar lenha no dia de Sábado intransigentemente reservado nessa era para o descanso dos crentes, de conformidade com o sétimo dia do Génesis.
Esse modelo de atitudes é expressivamente confirmado no capítulo 13, versículo 26, do Primeiro Livro dos Reis: “…é o homem de Deus, que foi rebelde à boca do Senhor: e por isso o Senhor o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o Senhor lhe tinha dito…”
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Outra ideia salientada como totalmente descabida nessa concepção do mundo é a da existência da tese do “povo eleito de Deus” – barbaridade repetida até aos dias de hoje – contraditória com os mais elementares princípios da magnânima tolerância do Criador, perante o qual todos os povos são idênticos em deveres e direitos.
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A fé nesse tempo, portanto, era primária e quase infantil, estabelecida no plano tenebroso e emocional, sem a compreensão racional dos conceitos, destituída do relacionamento adequado entre a criatura, o seu semelhante e o Criador.
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É em tal ambiente que Jesus veio à terra, como figura impar no contexto da humanidade, com a tarefa de vencer as barreiras que dividiam aquele povo fanático e violento.
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Neste ponto da sua alocução, José Passini – tirando partido da sua profunda formação doutrinária no âmbito do espiritismo – não perde a oportunidade para nos lembrar que todos os conceitos elaborados a respeito dos povos daquele tempo não podem envolver nenhum sentido de menosprezo ou desconsideração. Dado que aceitamos a magnânima realidade da reencarnação como trajecto de evolução permanente de toda a humanidade – nós mesmos podemos ter feito parte dessas sociedades, e incorrido na violência de princípios que eram naturais e aceites nesse tempo.
Aludiu até à antiga expressão da nossa língua comum “quem tem telhados de vidro, não pode atirar pedradas”.
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Jesus veio mudar completamente a visão que os povos tinham de Deus e, entre outras modificações fundamentais no seio da sociedade patriarcal vigente, integrou a mulher na sociedade como ser de pleno direito.
Deixou de propor a visão do Deus que essa sociedade propunha e abriu horizontes para o conceito do Deus providência, amparo, misericórdia e amor, conforme o Novo Testamento, João 15:9-12:
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“…Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós. Permanecei neste meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito estas coisas, para que o meu gozo permaneça em vós e que o vosso gozo seja cumprido. O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei…”
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Jesus nunca pregou nos templos, nem permitiu que nenhum local em particular fosse sacralizado para a prática de um culto formal e redutor.
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Para Jesus toda a terra é sagrada e todo o universo é a casa de Deus.
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Por isso libertou o homem do jugo sacerdotal e os seus ensinamentos são uma carta de alforria concedida aos homens face ao poder do sacerdócio intermediário, facto que conduziu às movimentações que acarretaram a sua crucificação.
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Um episódio bíblico largamente referido por José Passini, por variedade de motivos do seu rico conteúdo, foi o de encontro de Jesus com a mulher de Samaria, a Samaritana.
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Esse apenas outro motivo que justifica que se ouça atentamente a sua palestra, que tanto nos diz com tão acentuado sentimento de religiosidade e de cultura evangélica.
Relativamente ao tema central da palestra foi a certo momento mencionada a frase de Jesus: “Não vos deixarei órfãos”, que pode encontrar-se textualmente no Novo Testamento, nas palavras de João 15:16-20:
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“… E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.
O Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.
Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós…
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Esta entrega do Consolador tem vários aspectos que ligam à ideia da religião a componente racional, integrando a lição da imortalidade, aspecto como tantos outros da boa nova evangélica e de tantos dos seus episódios que não têm merecido aprofundamento teológico das igrejas,
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Estas, ainda por cima, adoptaram concepções cientificamente aberrantes como a da “ressurreição da carne”, pois se sabe que o nosso corpo material é sepultado e se extingue pela corrupção natural e que a parcela que se liberta do nosso ser com o grau de imortalidade é a do nosso espírito, ou corpo celeste.
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Corpo celeste que foi exactamente o veículo por meio do qual Jesus foi visto em variados locais e com o qual se dirigiu a todos aqueles que entendeu por bem visitar, reconfortar e esclarecer depois da sua morte.

Fra Angelico, “A Anunciação” (1437/46) Museu Nacional de São Marcos, Florença

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De forma esclarecedora e não destituída de certo sentido de humor, o professor Passini atribui aos pintores e aos escultores do movimento cristão dos séculos passados a responsabilidade relativa de terem “inventado” ou “colocado” asas a criaturas que delas não precisavam, por serem espíritos, acrescentando que os numerosos fenómenos registados nos evangelhos de aparições de pessoas em lugares distantes daqueles onde se encontravam,  se devem às faculdades do desdobramento espiritual, largamente comprovado pela ciência espírita.

Quanto ao corpo material de Jesus jamais apareceu, porque por ele mesmo foi desmaterializado para que não fosse motivo de profanações e aproveitamento pelas autoridades judaicas, e os anjos que apareceram no conjunto de episódios a seguir à sua morte não eram senão espíritos..

A humanidade não precisa de salvação  e a lição da imortalidade.

 A morte de Jesus não foi mais um sacrifício de sangue inocente para agradar a um Deus com o propósito de “salvar a humanidade”. Os teólogos ainda se atêm a essas ideias “salvacionistas”, não levando em conta a profunda libertação religiosa que Jesus nos trouxe mediante a sua mensagem..Aliás, como se torna claro de acordo com a doutrina espírita, a humanidade não precisa de salvação, sendo ponto assente e completamente esclarecido de que mesmo os espíritos mais inferiores  têm garantida a sua salvação.

“Perder-se” é ir para o inferno e Jesus nunca falou em penas eternas; Jesus veio trazer a figura do Pai misericordioso que não dá pedras aos filhos que lhe pedem pão. Deus é amor, misericórdia e bondade.O temor de que muitas pessoas ainda padecem das penas infernais é um instrumento de dominação dos fiéis através do medo e da ocultação da verdade.

A lição da imortalidade tem sido propositadamente esquecida e o Novo Testamento não tem sido estudado de forma a esclarecer os fiéis, contrariamente à atitude pertinentemente mantida pela verdade do espiritismo a este respeito, bem como a muitos outros aspectos do seu conteúdo..

A revelação colectiva do Consolador realizada muitos séculos depois, mediante a codificação espírita concretizada pelo critério cultural e científico de Allan Kardec veio consagrar uma nova e amplificante noção da própria ideia de Deus..Não é sem motivos que o Livro dos Espíritos começa com a definição de Deus, o qual passa a ser concebido não como um soberano terreno, de estatura personificadamente menor, mas ideia transcendente situada outrosssim no plano cósmico, que inúmeras observações e desenvolvimentos de carácter científico não fazem senão confirmar e realçar, sem que a aludida definição com isso possa julgar-se nada menos que reforçada..

A sacralidade da casa dos fiéis como lugar  de oração .

Passini, entre várias outras ideias de grande substância histórico-doutrinária acentua o gravíssimo erro cometido pelas religiões de terem favorecido o desaparecimento da sacralidade da casa dos fiéis como lugar de oração, em benefício da exclusividade dos templos em ordem ao acréscimo do seu próprio poder. Facto que se encontra eloquentemente esclarecido em Mateus 6:6-9:..

“…Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua  porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. E, orando, não useis palavras vãs, como os gentios; porque pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome…;.

A esclarecida e esclarecedora palestra do Professor José Passini não se esgota neste breve resumo, abordando ainda uma importante variedade de temas, como vários aspectos dos ensinamentos de S. Paulo, a necessidade de não ler apenas – mas de estudar profundamente – o conteúdo dos livros da codificação – que variados aspectos da vida e dos conhecimentos mais recente não cessam de reforçar, chamando para a vida nas sociedades  dos tempos de hoje a actualidade dos ensinamentos de Jesus ..

Aliás, a essência de tais conhecimentos encontra-se em linha com os sérios problemas que o mundo tem enfrentado no domínio das injustiças, das violências e das desigualdades ainda vigentes ao longo dos continentes, no desenrolar de muitos e muitos anos, como o conferencista claramente referiu..

Estas resumidas impressões, que fazem – no meu entender – uma resenha fiel da referida palestra do Professor Passini não dispensam de forma alguma o atento seguimento da mesma, que está na íntegra à disposição de todos em:.

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 Para aceder à palestra clicar nesta frase ou na imagem

a seguir clicar em
“reproduzir todos”

(está à esquerda, em cima, debaixo de palavra luz)

Para ver a palestra em ecrã inteiro, clicar no quadradinho que se situa no canto inferior direito do mesmo.

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